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FUNDOS E COLEÇÕES PESSOAIS (SÉC. XX)











Vitorino Nemésio
[1901-1978]
O mais relevante homem de letras nascido nos Açores,
no século XX; autor do mais notável romance português do século: Mau tempo no Canal (1944).
Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva. Nasceu na então Vila da Praia da Vitória em 1901 e faleceu em Lisboa em 1978. Está sepultado em Coimbra.

Vulto maior das letras portuguesas do século XX e notável académico, Vitorino Nemésio é o mais relevante escritor nascido nos Açores no último século.

O espólio foi adquirido à família do escritor em 1979 pelo Governo Regional do Açores, que igualmente adquiriu a biblioteca pessoal do escritor.

À parte a biblioteca pessoal, o espólio adquirido, é constituído por documentos pessoais (cartas, bilhetes postais, etc. e 76 fotografias diversas em papel), traduções, apontamentos, trabalhos truncados, etc.
Vitorino Nemésio











Frank Noble Sayers
[1906-1980]
Militar inglês da Royal Air Force, destacado na ilha Terceira de 1943-1945.
Sua filha Linda Kirby, ofereceu à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo o álbum fotográfico de seu pai com fotos da época tiradas na Terceira.



Frank Noble Sayers. Nasceu a 3 de março de 1906 na Inglaterra, no distrito de Hampshire, em Bournemouth, que mais tarde veio a ser integrada no distrito de Dorset.

Frequentou a Escola de Bournemouth; terminados os estudos, começou a trabalhar numa livraria, primeiro em  Bournemouth e mais tarde em Guildford, depois em Surrey e em Londres. Exerceu esta profissão toda a sua vida. Faleceu em julho de 1980.

Durante a II Guerra Mundial, com o N.º 1437203, serviu como Cabo da Polícia na Royal Air Force Volunteer Reserve, entre 6 de junho de 1941 e 30 de outubro de 1945. Em 1943, foi enviado para a ilha Terceira, Açores, onde permaneceu de 30 de setembro desse ano até 6 de maio de 1945. A sua experiência de vida na Terceira causou nele impressões que perduraram toda a vida, das quais falava muitas vezes.

Nas vésperas da Guerra, Frank N. Sayers havia casado em Wandsworth, Londres, com  Ruth Florence Westley e foram viver para os subúrbios do norte de Londres, em Muswell Hill. Após o seu regresso dos Açores, em fevereiro de 1949, nasceu a tão desejada filha de ambos. Tão fortes nele eram as memórias da Terceira, que descrevia, segunda a sua filha, como um paraíso terrestre, que Frank e Ruth decidiram chamar «Linda» à filha, por causa do significado que a palavra tem em português. Desta forma ele quis garantir que a sua feliz estadia na ilha Terceira não seria esquecida.

Muitos anos mais tarde, em 2009, após ter visitado com seu marido a ilha Terceira e os locais onde em Angra, na rua do Salinas, seu pai viveu, naquele ano já anexados às instalações da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, Linda decidiu oferecer a esta instituição uma cópia digitalizada do álbum de memórias fotográficas que seu pai havia colhido durante a sua estadia nesta ilha.
Frank Noble Sayers












Dutra Faria
[1910-1978]
Figura importante e de confiança do Estado Novo, foi Director da ANI (Agência Nacional de Informação), que controlava e filtrava a informação nacional e estrangeira, antes de ser distribuída aos órgãos de comunicação social.

Francisco de Paula Dutra Faria. Nasceu em Angra do Heroísmo. Foi jornalista, tendo igualmente ensaiado a ficção.

Manifestou muito cedo o gosto pelo jornalismo e o seu pendor pelas doutrinas nacionalistas do princípio do século XX.

Concluído o liceu em Angra partiu para Lisboa, onde logo veio a destacar-se em diversas publicações nacional-fascistas de relevo, como a Acção Nacional, e a revista Política, esta de ideário integralista, tendo escrito para os grandes títulos da época.

Colaborou assiduamente no
Diário Insular.

Grande apoiante de Hitler, acabou por moderar o seu ardor no período pós-guerra, o que lhe permitiu adaptar-se e integrar-se no partido único de Salazar, a União Nacional, galgar a lugar forte no Secretariado de Propaganda Nacional e dirigir as actividades culturais da Mocidade Portuguesa, tornando-se numa figura importante do regime.

Foi fundador e Director da ANI (Agência Nacional de Informação), que controlava e filtrava a informação nacional e estrangeira, antes de ser distribuída aos órgãos de comunicação social.

Em 25 de Abril de 1974, fugiu para a Espanha, refugiando-se, em seguida, no Brasil. Mais tarde, regressou a Portugal; faleceu em Lisboa em 1978.
Dutra Faria













José de Sousa Brasil, O Charrua
[1910-1991]
O maior e mais notável poeta popular e improvisador dos Açores
José de Sousa Brasil Charrua ou O Charrua. Nasceu nas Cinco Ribeiras (N. S. do Pilar), Ilha Terceira, e continua a ser considerado como o maior poeta popular de sempre dos Açores. Ficou popularmente conhecido como «O Charrua», alcunha de família que adotou e acrescentou ao nome, assinando os seus escritos como José de Sousa Brasil Charrua.

Desde muito cedo revelou uma inteligência incomum e uma enorme vontade de adquirir novos conhecimentos, qualidades que mereceram a atenção do professor e do pároco. Porém, os magros recursos da família não lhe permitiram ir além dos estudos primários na escola da freguesia, aliás só concluídos em idade adulta.

Foi então trabalhador agrícola, assalariado, vendedor de pão, ao mesmo tempo que nele se revelavam os talentos de poeta e de improvisador, os que poria à prova, ainda jovem adolescente, perante Manuel Borges Pêcego, dito O Bravo, um dos maiores poetas populares de sempre, que havia introduzido nas cantorias ao desafio a quadra popular totalmente rimada, em rima cruzada, a que Charrua chamava «a quadra literária», e por quem o jovem poeta nutria uma enorme admiração.

Entretanto, para compensar a impossibilidade de prosseguir estudos e de se alcandorar a um nível de instrução que a sua brilhante inteligênia reclamava, Charrua leu Camões, Camilo, João de Deus e Junqueiro, autores que haviam de marcar profundamente o seu espírito para o resto da vida, neles bebendo as modulações, as figuras de estilo e as correctas medidas dos versos, que, por surpreendente que pareça, procurou cultivar no improviso.

Não será descabido dizer que Charrua ficou embebido pelo ideal romântico e foi um poeta romântico. Como tal viveu a vida, subjugado à paixão pela sua arte, com arrebatado ardor entregue à poesia e ao ideal de poeta, o que dele fez um migrante de ocupação em ocupação, vivendo acima de tudo para a sua arte, viajando inúmeras vezes para os Estados Unidos, cruzando o continente até à Califórnia, para cantar, regressando, emigrando e, por fim, retornando à sua terra para nela concluir o seu percurso, sempre erguendo alto e acima de tudo a chama do poeta.

A sua consabida paixão platónica pela grande cantadora Maria Anglina de Sousa, dita A Turlu, correspondida, que a ambos haveria de conduzir ao altar quando já eram viúvos, constitui um maravilhoso paradigma do ideal romântico.

Notável improvisador e repentista, O Charrua tornou-se notado pela sua capacidade de inovação e pela sua originalidade nas cantorias ao desafio, aprimorando a quadra popular com rima cruzada nos quatro versos. Além da quadra, da sextilha, da oitava e até mesmo da décima de improviso, Charrua cultivou pela escrita outras formas literárias, compôs canções, escreveu danças (de espada), sonetos e trovas.

Os seus textos inéditos foram doados à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, em 13 de Junho de 2008, pela sua filha, D. Maria do Socorro Costa Brasil, com a permissão de consulta pública e de utilização para fins não lucrativos e com reserva absoluta de direitos de publicação para Mário Pereira da Costa, autor do livro Aurora e Sol Nascente: Turlu e Charrua Confidências.
José de Sousa Brasil Charrua













Raul Coelho
[1912-1981]
Músico e compositor
Raul Coelho da Silva. Nascido em 22 de abril de 1912, em Vila Franca do Campo, por acaso do destino, quando sua mãe, madeirense, estando grávida, e seu pai, terceirense, em viagem da Madeira para a Terceira, para onde iam fixar domicílio, aportaram em São Miguel e se acolheram em Vila Franca do Campo, em casa de amigos, antes de tomar vapor para Angra do Heroísmo.

Logo no vapor seguinte, o casal prosseguiu rumo ao destino, com a família aumentada. O pai, Manuel Coelho da Silva, músico e compositor, havia sido contratado para lecionar na Praia da Vitória, de onde era natural. Com o casal e o recém-nascido viajavam mais dois filhos, nascidos na Madeira: Jorge Coelho da Silva, que também seria músico, padre e autor do opúsculo História duma Família Açoriana, publicado em 1957, quando exercia o cargo de cura da freguesia da Ribeirinha na ilha Terceira, e Maria Zulmira, única mulher da família, que seria organista.

Os irmãos, António, Manuel, Mário e Alberto, todos músicos, nasceriam já na Terceira, distinguindo-se Manuel como regente de várias filarmónicas, Mário como executante e professor de música e Alberto, em Toronto, como pianista de jazz.

Raul Coelho cresceu na ilha Terceira, residindo com a família em várias freguesias, e estudando música com seu pai. Aos 14 anos, assenta praça no Regimento de Angra do Heroísmo, como voluntário e como músico. No Exército, ingressou na Banda Regimental de Angra do Heroísmo e continuou a aperfeiçoar os seus conhecimentos musicais.

Aos 23 anos, é transferido a seu pedido para Lisboa, a fim de frequentar o Conservatório Nacional, onde fez o curso completo de solfejo e ciências musicais, que incluía composição (contraponto e fuga), entre outras disciplinas.

Raul Coelho atingiu a patente de primeiro-sargento. Quando, em 1937, o governo de Salazar, considerando excessivo o gasto com as bandas militares, reduziu o número destas de 32 para 8, extinguindo a do Regimento de Angra do Heroísmo, Raul Coelho permaneceu no Exército, porém reclassificado como amanuense. Continua, no entanto, a sua atividade como músico fora do quartel, à frente de diversas bandas filarmónicas da ilha: Recreio dos Artistas e Fanfarra Operária, ambas de Angra do Heroísmo, na Ribeirinha e na Praia da Vitória.

Fundada nos anos 50 do século passado, a Orquestra Filarmónica de Angra, que deixou memoráveis impressões no coração dos angrenses, foi seu director artístico até partir para Cabo Verde, em 1963, em comissão de serviço. Aí compôs a sua Rapsódia de Mornas Caboverdianas.

Atribui-se-lhe a autoria de mais de duzentas obras, executadas e muito apreciadas em todas as ilhas, entre as quais sobressai a opereta regional em três actos, Glória ao Divino, com letra de João Ilhéu (Frederico Lopes) e a Rapsódia Açoriana. Compôs igualmente para as revistas de Eduardo de Melo, De Vento em Popa e Sabe-se Lá.

Em 1969 emigrou para o Canadá, onde veio a falecer em 1981, aos 68 anos. Foi professor do Royal Conservatory of Music of Hamilton (Ontario), assim como de diversas escolas privadas. Foi igualmente diretor da Banda Portuguesa de Hamilton. As suas obras foram executadas não só pela Banda de Hamilton e como também por várias outras bandas portuguesas do Canadá.

O espólio musical de Raul Coelho (& irmãos) encontra-se depositado na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, por doação da família. O inventário desta doação regista setenta e sete obras, entre as quais, além de uma maioria de obras suas, algumas outras da autoria de seu pai Manuel Coelho da Silva e de seus irmãos António Coelho da Silva e Manuel Coelho da Silva Júnior.
Raul Coelho









D. Ana Sieuve de Menezes da Rocha Alves
[1913-2005]
Grande dama angrense, benemérita e filantropa.
Ana Raymundo da Cunha Sieuve de Menezes da Rocha Alves. Nasceu em Angra do Heroísmo, filha do 3º Conde de Sieuve de Menezes. Casou com o médico e político terceirense, Dr. Joaquim da Rocha Alves.

Grande benemérita, dedicou a vida a causas sociais e filantrópicas. A sua acção no âmbito da acção social, desenvolvida em consonância com as instituições diocesanas, foi durante décadas da maior importância para a sociedade terceirense.

Dirigente muito activa e dinâmica da Acção Católica e da Caritas Diocesana, a sua influência ter-se-é feito sentir de forma determinante na criação de várias instituições de apoio a crianças e a adolescentes em situação precária e teve igualmente papel maior no apoio aos presidiários, através da Obra da Cadeia.

Colaborou durante longos anos nos jornais angrenses e com associações culturais locais, entre as quais o Grupo de Teatro Alpendre, do qual foi sócia fundadora.

Foi distinguida pelo Papa João Paulo II com uma benção apostólica especial e agraciada com a Medalha de Mérito Municipal (Ouro) de Angra do Heroísmo e com o grau de Comendadora da Ordem de Benemerência (Ordem de Mérito).

D. Ana Rocha Alves












Pedro de Merelim
[1913-2002]
Militar de profissão, foi jornalista, mas sobretudo um grande historiógrafo, de vasta produção, que tratou variados temas de grande interesse regional. Deixou obras de referência.

Pedro de Merelim, nom de plume de Joaquim Gomes da Cunha. Saiu aos 18 anos da sua terra natal, São Pedro de Merelim (Braga).

Cumprido o serviço militar, fixou residência em Lisboa, mas logo é reincorporado por ocasião da II Guerra Mundial, vindo cumprir serviço na ilha Terceira, onde se fixa. Passa aos quadros do Exército, após a guerra, e dá largas à sua verdadeira vocação, que é a de jornalista, usando o pseudónimo de Pedro de Merelim.

Pertenceu ao corpo redactorial do jornal A União, durante 38 anos, chegando a exercer o cargo de redactor-chefe e chefiou o gabinete de notícias do Rádio Clube de Angra.

Escreveu milhares de textos (artigos, reportagens, locais, crónicas de viagem) que publicou em jornais açorianos, do continente e da Guiné-Bissau.

Foi correspondente entre 1953 e 1972 de O Primeiro de Janeiro (Porto) e colaborador de O Século e do Jornal do Comércio, ambos de Lisboa.

O mais importante do seu trabalho é constituído por obras que versam temas de grande relevância local e regional, num total de 22 títulos, e por artigos publicados na Atlântida, revista do Instituto Açoriano de Cultura.

Foi autodidacta, por não ter podido beneficiar de formação de nível superior e, por isso, nem sempre manuseou
da forma mais adequada as normas da investigação; Pedro de Merelim foi, no entanto, um historiógrafo exemplar, pela sua grande seriedade e probidade intelectual, no que constitui um exemplo para qualquer investigador.

Legou o seu espólio, em vida, à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra.
Pedro de Merelim












Dr. Viriato Garrett
[1913-1994]
Médico
e filantropo. Cirurgião notável, inovador e percursor, responsável pela introdução de novas técnicas cirúrgicas em Portugal.
Viriato Machado da Costa Garrett. Nasceu em Mafra e faleceu em Angra do Heroísmo. Estudou em Coimbra, onde fez estudos secundários e onde se licenciou em Medicina e Cirurgia. Chegou à ilha Terceira como militar, durante a II Guerra Mundial; aqui casou e fixou residência.

Embora cirurgião, empenhou-se no combate específico a diversas doenças, entre as quais as infantis, promoveu a vacinação e empenhou-se na difusão da medicina preventiva como medicina social.

Médico militar na Força Aérea, onde atingiu o posto de tenente-coronel, aproveitou os contactos que lhe eram proporcionados para trabalhar com médicos ingleses e americanos e adquirir novos conhecimentos e novas técnicas. A sua actividade havia de o conduzir da cirurgia geral à urológica, à cirurgia ortopédica e traumatológica e à cirurgia plástica, para tratamento e enxerto de queimados, conhecimentos que usou no tratamento dos grandes feridos evacuados da guerra colonial.

Em Portugal, foi o primeiro médico a executar a artroplastia da anca e o enxerto ósseo posterior da tíbia.

Filantropo, operava gratuitamente sempre que os pacientes não tinham possibilidade de pagar e, trabalhador incansável, chegou a executar 450 operações num só ano, muitas das quais de longa duração.

Numa época em que os congressos médicos eram ainda pouco frequentados por portugueses, deslocava-se amiúde ao estrangeiro, para neles participar e actualizar conhecimentos.

Era membro activo das mais prestigiadas associações internacionais de cirurgiões.

Foi agraciado com diversas condecorações portuguesas e estrangeiras.

O seu espólio, constituído por documentação e fotografias, foi doado pela família à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo.

Dr. Viriato Garrett











Raul Diniz Forjaz
[1916-1982]
Fotógrafo amador e coleccionador de fotografias.
Raul Diniz Forjaz. Nasceu em Angra do Heroísmo e estudou no Liceu Nacional da sua cidade natal, onde viveu.

Foi oficial administrativo de topo de carreira da 2ª Secção (Contabilidade) da Junta Geral do Distrito Autónomo.

Desportista, praticou na juventude o voleibol, foi grande amante do futebol (sendo fervoroso adepto do Sport Clube Lusitânia de Angra do Heroísmo), e fez vela (classe snipe); conservando ao longo da vida a paixão pelo mar, praticava natação todo o ano.

Pertenceu a diversas direcções do Lawn Tennis Club, associação em que muito se empenhou, tendo tido papel decisivo no desenho dos respectivos símbolos heráldicos.

Fundou o jornal angrense Diário Insular, com Manuel Flores Brasil e Cândido Pamplona Forjaz.

Paralelamente, nutria um grande interesse pela fotografia, no que era acompanhado por seu irmão Álvaro Diniz Forjaz (1918-1989), com quem viveu a maior parte da vida, após viuvar muito jovem; ambos praticaram a fotografia.

Monárquico convicto, cultivou, desde os bancos do Liceu, um grande interesse pela História de Portugal e pela História Universal, tema sobre o qual conversava com entusiasmo. Talvez este interesse o tenha compelido a reunir uma notável colecção de fotografias, entre as quais se contam exemplares historicamente valiosos das Forças Inglesas e Americanas estacionadas na ilha Terceira, por ocasião da II Guerra Mundial.

De acordo com seu irmão, Álvaro, legou a colecção, que ambos haviam reunido ao longo dos anos, à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo.
Raul Diniz Forjaz













Brigadeiro João Menezes
[1920-1996]
João Homem Lemos de Menezes. Nasceu e faleceu em Angra do Heroísmo. Era filho do tenente-coronel médico Manuel de Sousa Menezes.

Brigadeiro médico da Força Aérea Portuguesa, especializado em oftalmologia.

Foi expedicionário na Base Aérea nº 4, em 1946, tendo depois, no ano seguinte, prestado serviço no Batalhão Independente de Infantaria nº 17, aquartelado no Castelo de São João Baptista.

Em 1957, ingressou nos quadros permanentes de Oficiais Médicos da Força Aérea, vindo a desempenhar os cargos de Diretor do Hospital Militar da Terra-Chã e de Diretor dos Serviços de Saúde da Força Aérea.

Em 1959, desempenhou o cargo de Governador Civil Substituto do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.

Foi distinguido com o grau de Comendador da Ordem Militar de Avis, com a Medalha de Mérito Militar de 2ª Classe, com a Medalha de Comportamento Exemplar e com a Medalha Naval (prata) comemorativa do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique.

Após o seu falecimento, sua esposa, D. Genoveva Alice do Canto Goulart Lemos de Menezes, doou à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo vários caixotes com livros de Medicina que lhe haviam pertencido.
Brigadeiro Médico João Meneses










Embaixador Helder Mendonça e Cunha
[1921-1992]
Diplomata, especialista em Protocolo de Estado.

Helder Mendonça e Cunha. Nasceu em Angra do Heroísmo, de pai graciosense e mãe terceirense. Estudou no Liceu Nacional desta cidade e licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa.

Seguiu a carreira diplomática, na qual se revelou brilhante, atingindo a categoria de Embaixador.

Ao longo da sua carreira prestou serviços relevantes ao país na França (NATO), no Egipto, na Espanha, na Tailândia, na Grécia, na Argentina, no Uruguai, no Paraguai e na Santa Sé.

Foi também Chefe do Protocolo de Estado, antes e depois do 25 de Abril, tendo sido um dos maiores especialistas portugueses em Protocolo de Estado, reconhecido internacionalmente, matéria sobre a qual escreveu uma obra considerada de referência (Regras do Cerimonial Português. 2ª ed., Lisboa, Bertrand, 1988).

Foi distinguido com as Grã-Cruzes da Ordem de Cristo e do Infante D. Henrique, entre outras condecorações portuguesas, e detinha igualmente várias condecorações estrangeiras.

Publicou ainda dois livros de poesia.
Embaixador Helder Mendonça e Cunha













Mário Silva
[1921-2009]
Fotógrafo amador e coleccionador

Mário Pereira da Silva. Conhecido como Mário Silva, nasceu na Figueira da Foz, onde fez os seus estudos.

Ingressou na Força Aérea em 1941. Mobilizado para os Açores em 1946, foi colocado na Base Aérea Nº 4 (Lajes, Terceira).
 
Radicou-se na ilha Terceira, onde casou. Desenvolveu o gosto que tinha desde criança pela fotografia, sendo fotógrafo amador e coleccionador.

Ao longo dos anos realizou várias exposições na ilha Terceira, designadamente no Lawn Ténis Clube, Clube Musical Angrense, Teatro Angrense, Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, átrio e adro da igreja da Sé de Angra, Casa do Sal (associação de artistas plásticos) e Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.

Ofereceu à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo diversos CDs com fotos de temáticas diversas.
Mário Silva













Jacob Jeremias Tomaz Pereira
[1922 - 1999]
Investigador da história local

Jacob Jeremias Tomaz Pereira. Nasceu em 25-6-1922, na Fazenda, Lajes das Flores, e morreu em 19-3-1999, em Fresno, na Califórnia. Estudou nos liceus da Horta e de Ponta Delgada. Destacou-se como investigador da história e da cultura locais.

Preparou com Pedro da Silveira, de quem foi amigo, a publicação dos Anais do Município de Lajes das Flores; com Armando Cortes-Rodrigues, Francisco António Gomes e Maria Antónia Esteves, colaborou na recolha da letra e da música do folclore florentino destinado às obras Cancioneiro Geral dos Açores e aos Subsídios para o Cancioneiro Popular da ilha das Flores; com José Agostinho em questões de história natural e, nos Estados Unidos, com Eduardo Mayone Dias no primeiro Simpósio sobre a presença portuguesa na Califórnia.

Foi despachante oficial da Alfândega da Horta, solicitador judicial da Comarca das Flores, presidente da Cooperativa de Lacticínios da Fazenda e da Comissão Concelhia de Assistência, provedor da Santa Casa da Misericórdia, vereador e vice-presidente da Câmara Municipal.

Em 1972, emigrou para os Estados Unidos da América, fixando-se na Califórnia. Possuíu uma valiosa coleção de scrimshaws, que doou à Região Autónoma dos Açores. Parte da sua biblioteca pessoal foi doada à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo.











Poeta Pedro da Silveira
[1922-2003]
Poeta modernista de grande importância para os Açores e grande erudito.
Pedro Laureano Mendonça da Silveira. Poeta e investigador. Homem de cultura, e de erudição vastíssima, deixou colaboração dispersa em numerosas revistas, nos Açores e no Continente. Iniciou a vida profissional como delegado de propaganda médica e concluiu-a como funcionário superior da Biblioteca Nacional de Portugal, aposentando-se como director de serviços.

Militante anti-fascista, teve os seus direitos políticos cassados pelo regime salazarista. Foi membro da revista Seara Nova, a cujo conselho de redacção pertenceu até 1974, tendo convivido com os grandes intelectuais portugueses do século XX.

É autor de vários livros de poesia, estreando-se com A Ilha e o Mundo, (1953), e de uma importante e marcante antologia de poesia açoriana, publicada em 1976, em cujo prefácio, peça de grande erudição, defende a existência de uma literatura açoriana autónoma em relação à nacional.

Nascido na Fajã Grande, ilha das Flores, estudou em Angra do Heroísmo, cidade a que ficou muito ligado. Daqui passou a Ponta Delgada, onde conviveu com o grupo intelectual do jornal A Ilha, e depois a Lisboa, onde fez o seu percurso.

Na poesia, além de A Ilha e o Mundo (1953), publicou Sinais de Oeste (1962), Corografias (1985), Poemas Ausentes (1999) e Fui ao Mar Buscar Laranjas. É considerado um poeta de referência para os Açores.

Legou, em vida (1963), a sua biblioteca pessoal, composta por mais de 2000 volumes à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo. Após a sua morte foram feitas duas novas incorporações, por doações de sua esposa, Athyna, e de sua cunhada, Zaida Dáskalos.

Pedro da Silveira












Fernando Manuel Duarte Mendonça
[1925-2010]
Jornalista
Fernando Manuel Duarte Mendonça. Nasceu em Angra do Heroísmo. Foi funcionário das Forças dos E.U.A. na Base Área das Lajes, como guarda-livros, instrutor e «lecturer» no Comando Americano, onde desempenhou também as funções de inspetor de segurança, tendo frequentado nos Estados Unidos três cursos técnicos de especialização em administração e gerência.

Em 1944, depois de ter desistido da frequência do curso complementar técnico do Instituto Comercial Raul Dória, no Porto, revelou-se como jornalista e polígrafo de apreciáveis méritos, com ampla atividade nos jornais A União, no qual manteve uma coluna semanal «Objectiva» e Diário Insular, bem como aos microfones das emissoras Rádio Clube de Angra, com o programa radiofónico «Tribuna Regional» e Clube Asas do Atlântico com o programa «Páginas Sonoras».

Foi delegado correspondente do diário Correio da Horta e correspondente do Jornal do Pescador, órgão da Junta Central das Casas dos Pescadores e chefe de redação do jornal Ecos do Marítimo.

Colaborou também no Diário dos Açores, O Debate, O Dever, O Correio dos Açores, nas revistas Atlântida, Rádio e Televisão, e Panorama (SNI), nas estações de radiodifusão Emissora Regional da E.N., Estação CSB-83 AFRTS, e WRTL-Rantoul, dos Estados Unidos da América do Norte.

Foi sócio honorário da Sociedade União Popular de Instrução e Recreio, ilha de S. Jorge, membro da Old Dartmouth Historical Society (Whalling Museum), de New Bedford, E.U.A.

Na ilha do Pico recolheu vários elementos para escrever a história baleeira dos Açores, com o patrocínio do Instituto Histórico da Ilha Terceira.

Autor de vários opúsculos, entre os quais destacamos: Da vida e da obra do académico terceirense Dr. Luís S. Ribeiro; A ilha de S. Jorge na bibliografia açoriana; Fenómenos demográficos e sociológicos do nosso tempo (discurso); As colectividades populares no panorama orgânico da sociedade (conferência); A evolução das ciências pedagógicas e o ensino dos deficientes (palestra); A segurança no trabalho e o mundo moderno; Gervásio Lima, laureado poeta e escritor terceirense; Francisco de Lacerda, musicólogo e folclorista açoriano eminente.












Rafael Azevedo
[1926-1976]
Espeleólogo e fotógrafo
Sócio fundador de
Os Montanheiros
Luís Rafael Ávila Azevedo. Nasceu na freguesia da Sé, a 19-01-1926, cresceu na rua do Salinas, ao lado da Sé. Fez o Curso Geral do Comércio, ministrado na época pela Escola Industrial e Comercial de Angra do Heroísmo, tendo sido funcionário administrativo da SATA (Air Azores). Faleceu prematuramente em 24-04-1976.

Grande amador da Natureza, aprendeu fotografia com o fotógrafo profissional angrense, Rodolfo Ferreira Brum (Foto Brum). Foi sócio fundador da Associação Espeleológica Os Montanheiros, à qual se deve a revelação pública e vulgarização do Algar do Carvão, entre outras grutas, onde instalou equipamento de revelação fotográfica e realizou diversas exposições de fotografia. Foi membro dos corpos sociais desta associação durante longos anos (1967-1976) e presidiu à direção no biénio 1971-1972, a qual mais tarde lhe prestou homenagem, atribuindo o seu nome ao largo junto ao Algar do Carvão.

Após a sua morte, Luísa Azevedo, sua filha, doou à associação Os Montanheiros uma coleção de fotografias em papel. Algumas delas haviam já sofrido o efeito da humidade, porém revelam pormenores de artista e uma fina sensibilidade.

Por iniciativa do Dr. Paulo Barcelos, sócio e presidente da direção de Os Montanheiros, com o consentido de D. Luísa Azevedo, foi oferecido à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo um CD contendo 310 imagens digitais, de fotos oriundas daquela coleção.












José Nuno Dias Afonso
[1927-2010]
Subdiretor Escolar de Angra do Heroísmo

José Nuno Dias Afonso. Nasceu e faleceu em Angra do Heroísmo. Casou com Maria Zélia Amaral e foi pai de cinco filhos.

Cursou a Escola do Magistério Primário de Angra do Heroísmo, onde se formou e exerceu funções públicas na área da educação, inicialmente como professor do ensino primário, e depois na Direcção Escolar de Angra do Heroísmo, de onde se aposentou no cargo de subdirector escolar.

Foi, além disso, colaborador, durante largos anos, da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e do jornal Diário Insular, em que exerceu funções de revisor.

Leitor interessado, deixou uma grande coleção de revistas, que a família doou à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo.











Rogério Silva
[1929-2006]
Pintor e ativista cultural
Rogério Isauro da Silva. Nasceu no Faial (Feteira) e faleceu em Angra do Heroísmo. Foi pintor, desenhador e gravador.

Fixou-se aos 18 anos na Terceira, como professor de trabalhos manuais na Escola Comercial de Angra do Heroísmo.

Juntamente com Emanuel Félix e Almeida Firmino, viria a ter um papel central na atividade cultural angrense, quando os três fundaram em 1958 a revista Gávea e, mais tarde, extinta esta, com a criação, em 1967, da Galeria de Arte Gávea, que funcionou na sua residência, na rua Pêro Anes do Canto e teve filial na Horta.

Nesta fase colaborou intensamente com Carlos Faria, coordenador da página literária «Glacial» do diário angrense A União, realizando numerosas exposições de jovens artistas portugueses e estrangeiros e criando a editora Gávea / Glacial.

Fez a sua primeira exposição individual de pintura em 1953, na galeria do jornal O Telégrafo; expôs em Lisboa, em 1954 e 1956, tendo sido notado por Artur Portela, figura destacada da época, que o levou ao convívio com outros artistas, numa exposição colectiva. Entre 1967 e 1972 realizou várias exposições individuais e colectivas.

Em 1971 emigra para os Estados Unidos da América e fixa-se em New Bedford, onde virá a desenvolver vasta atividade cultural, semelhante àquela já desenvolvida nos Açores.

Está representado em diversos museus e instituições dos Açores e da Costa Leste dos Estados Unidos.

Rogério Silva regressou à Terceira na década de 1990, tendo o seu regresso sido ignorado pelas novas gerações de artistas. O seu falecimento passou quase completamente desapercebido da imprensa.

Do espólio entregue à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo em 2012, por seu sobrinho, Nelson Cardoso, constam documentos pessoais, livros da sua biblioteca pessoal, catálogos de exposições, alguma correspondência pessoal entre amigos e parentes e muitas fotografias pessoais, de família e de viagens, assim como de quadros seus.


Site sobre Rogério Silva

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Dimas Matos
[1929]
Dimas Inácio de Sousa Matos. Nasceu em São Mateus da Calheta, de Angra do Heroísmo. Funcionário público administrativo, distinguiu-se como executante de primeira água de variados instrumentos de sopro.

Fez estudos secundários na Escola Industrial e Comercial de Angra do Heroísmo, onde concluiu o 5.º ano do curso industrial e o 3º do curso comercial. Foi depois funcionário administrativo da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Angra do Heroísmo, transitando em seguida para os Serviços Municipalizados da cidade, onde foi chefe de secção. Valendo-se do seu saber profissional, ao longo de muitos anos preparou, gratuitamente, inúmeros alunos para os mais variados concursos da função pública.

Como músico, tocou fliscorne, cornetim, saxofone soprano, alto e tenor e ainda clarinete. Incorporou as grandes filarmónicas angrenses e várias outras das principais da Terceira, sendo, anos a fio, muito solicitado para reparar instrumentos musicais de sopro, trabalho em que se especializou.

Fez carreira em numerosas orquestras: Orquestra Manuel Reis, que atuou nos clubes militares ingleses da Base Aérea das Lajes, durante a II Guerra Mundial, e, depois, nos clubes de oficiais e sargentos americanos e portugueses, no Lawn Tenis de Angra e no Clube Musical Angrense; Orquestra do Maestro Sargento Alberto Cunha; Orquestra Art Carneiro, orquestra privativa do Clube de Oficiais Americanos; Conjunto Rival Jazz, organizado e dirigido pelo próprio, que atuou, durante numerosos anos, em todos os clubes (americanos e portugueses) da Base Aérea das Lajes; Conjunto Jazz Futurista; Conjunto de João Ataíde; Conjunto Leões do Porto Judeu; Conjunto Açor; Petersband; Popband — tendo atuado também nas ilhas do Faial, Pico, Santa Maria, Flores e Corvo. Nos últimos anos da sua carreira de músico, integrou o Conjunto de Metais Ilha Lilás em cuja atuações executou notáveis  e deslumbrantes solos de saxofone.

Medalhão da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (1991); Medalhão da Sociedade Filarmónica Recreio dos Artistas, por altura das comemorações do 122º aniversário desta instituição; Medalhão da Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral, durante a comemoração do seu 92.º aniversário; Salva de prata da Filarmónica da Casa do Povo de São Mateus da Calheta; Placa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e das Sanjoaninas (1997), pelos 59 anos ao serviço da música; Salva de prata da Junta de Freguesia de São Pedro, pelos 60 anos de músico; Coroa do Divino Espírito Santo, em prata, com a seguinte inscrição “São Carlos 2000. Oferta da Direção Regional da Cultura”; Medalha de Mérito Municipal – mérito cultural, da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, atribuída por unanimidade (2002).

Doou uma coleção de livros.
Dimas Inácio de Sousa Matos










D. Maria Emília da Luz
[1931]
Funcionária aposentada da Biblioteca Pública e Arquivo Regional De Angra do Heroísmo
Maria Emília da Luz. Natural da Graciosa, fixou residência em Angra do Heroísmo.

Funcionária aposentada da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo,  sendo-lhe reconhecido o zelo e a diligência, assim como um grande espírito de trabalho e de entrega às funções que lhe foram confiadas.

Ofereceu 2 fotos de Conchita Citron na Terceira (1950) e uma de jornalistas deportados para Angra do Heroísmo (1931).
Maria Emília da Luz











D. Yolanda Corsépius
[1932]

Yolanda Corsépius. Natural da cidade da Horta, filha de uma faialense e de um funcionário da companhia alemã dos cabos submarinos.
Formou-se em Enfermagem em Lisboa. Nos Estados Unidos da América especializou-se em Pediatria e no Brasil em Saúde Pública, na cidade de S. Paulo, onde apresentou provas públicas de Mestrado.
Na Madeira, foi Chefe dos Serviços de Enfermagem do Programa Materno-Infantil da Região Autónoma. Exerceu a docência em 3 escolas de Enfermagem e na ilha Terceira, onde viveu quatro anos, desempenhou o cargo de diretora de Serviços de Enfermagem na Direção Regional da Saúde da Região Autónoma dos Açores. Técnica na Direção-Geral de Saúde, dedicou a sua ação à educação para a Saúde.
Paralelamente ao interesse pela saúde pública, dedicou-se também à investigação histórica, nomeadamente à história do porto da Horta no século XIX, bem como a outros temas como, por exemplo, «O Depósito de Concentrados Alemães no Castelo de S. João Batista, Angra do Heroísmo (1916 – 1918 -I Grande Guerra)», trabalho que publicou em 2010, no Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira.
Em 21 de abril de 2015 doou 9 fotografias a cores, que documentam património edificado da ilha Terceira, anterior ao sismo de 1 de janeiro de 1980.











Poeta Emanuel Félix
[1936-2004]
Grande poeta, crítico literário e de artes plásticas e especialista em restauro de obras de arte.

Emanuel Félix Borges da Silva. Nasceu e faleceu em Angra do Heroísmo, onde viveu. Poeta, ensaísta, cronista, crítico literário e de artes plásticas. Foi o pimeiro introdutor em Portugal do concretismo poético, inspirado pelos brasileiros Augusto e Haroldo de Campos, porém cedo passou a uma experiência surrealista.

Fundou e codirigiu a revista Gávea. Foi codirector da revista Atlântida, do Instituto Açoriano de Cultura. Estudou em Angra, no Liceu e na Escola de Magistério Primário, onde se diplomou. Mais tarde estudou restauro de obras de arte no Instituto José de Figueiredo e na Fundação Gulbenkian e estudos superiores especializados
em restauro científico de obras de arte no Instituto Francês de Restauro de Obras de Arte de Paris, na Escola Superior de Belas-Artes de Anderlecht e na Universidade Católica de Lovaina.

Foi técnico do Museu de Angra do Heroísmo e orientou tecnicamente a criação do Centro de Estudo, Conservação e Restauro de Obras de Arte dos Açores, que dirigiu e onde organizou, com o apoio do Fundo Social Europeu, cursos de formação para técnicos de restauro de pintura de cavalete. Foi consultor e autor de propostas de reestruturação do curriculum do curso superior de Conservação e Restauro da Escola Superior de Tecnologia de Tomar, onde lecionou e dirigiu vários estágios.

Tanto na área do restauro como na da literatura, proferiu diversas conferências em Portugal e no estrangeiro e publicou centenas de artigos em jornais e revistas. Está representado em numerosas antologias poéticas e esteve ligado de perto aos movimentos culturais locais.

Após o 25 de Abril de 1974, foi o primeiro Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Sócio do Instituto Histórico da Ilha Terceira e do Instituto Açoriano de Cultura, cuja direção integrou durante vários anos. Foi distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Mérito; postumamente, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento. Foi, em vida e como poeta, alvo de uma grande homenagem prestada pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

Emanuel Félix estreou-se como poeta adulto com o título (premiado) de O Vendedor de Bichos, no qual revelava uma voz singular,
original e inovadora. O seu nome tornou-se mais do que todos uma referência incontornável na poesia escrita nos Açores, mas, muito mais do que isso, alcandorou-se aos níveis mais altos da poesia nacional, pese embora o facto de continuar a ser mal conhecido fora das ilhas. A sua poesia evidencia um fino esmero estético e uma grande maestria e pureza estilística, combinada com uma delicada intensidade emotiva.

Por ocasião do 50º aniversário da sua estreia literária, a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo organizou uma grande exposição comemorativa. Dessa exposição foi editado o catálogo Emanuel: 50 Anos de Palavras (1952-2002).
Emanuel Félix













Doutora Antonieta Costa
[1936]
Socióloga e antropóloga
Maria Antonieta Mendes do Couto Costa. Nasceu em Angra do Heroísmo. É licenciada em Sociologia pela Universidade de Maryland (1983), mestre  em Administração Pública/Sociologia de Organizações Universidade de Troy  State, Alabama (1986) e doutora em Psicologia Social das Organizações, pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (1998).

Profissionalmente, exerceu como funcionária superior da administração pública, desenvolvendo em paralelo atividade científica e outra, nas áreas da sociologia, antropologia, arte popular e artesanato, fotografia, televisão, jornalismo, etc, privilegiando temas como as mitologias, expressões de poder no culto do Espírito Santo, tradições açorianas e manifestações culturais populares, origens e raízes, relações com as mitologias mediterrânicas, relações dos ciclos festivos com o calendário cósmico, etc, etc.

Tem numerosos artigos publicados numa grande variedade de publicações, participou em grande número de congressos, inclusive como organizadora, e mantém atividade científica e docente.

É ainda autora dos livros O Poder e as Irmandades do Espírito Santo (1999), O Culto do Espírito Santo, no Ciclo das Mitologias Agrárias (2008) e de Ilhas Míticas (2008), documentário realizado por Teresa Tomé, da série televisa com o mesmo nome, editado em DVD.

Doou à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo uma coleção de diapositivos e de fotografias (2953 fotogramas) sobre temas de natureza antropológica.
Doutora Antonieta Costa











Dr. Carlos Corvelo
[1946-2008]
Economista, especialista em Planeamento


Carlos Manuel Corvelo Pereira Rodrigues. Conhecido como Carlos Corvelo, nasceu em Angra do Heroísmo, onde faleceu. Fez o ensino secundário no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo e iniciou estudos superiores no Porto, vindo a obter a licenciatura em Economia  pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa e na mesma universidade o grau de mestre em Planeamento Regional e Urbano, área em que viria a especializar-se e a desenvolver grande atividade.

Foi docente de Estudos Aplicados de Economia, Fontes e Métodos Estatísticos, Economia Regional e Urbana no Instituto Superior de Economia e Gestão e de Finanças Públicas na Universidade de Évora.

Desenvolveu vasta atividade na área do planeamento regional e sub-regional em diversas empresas onde exerceu cargos e desenvolveu diversas metodologias de análise, avaliação e de intervenção.

Em 1996, com a mudança de governo nos Açores, foi convidado a assumir responsabilidades na administração regional, na área do Planeamento, tendo sido nomeado diretor regional de Estudos e Planeamento (1996-2000), onde teve uma ação notável, de grande relevo e de grande importância para a Região Autónoma dos Açores.

Subsequentemente, foi chamado a desempenhar o cargo de subsecretário regional do Planeamento e Assuntos Europeus dos Açores (2000) e de secretário regional adjunto do Vice-Presidente (2004), cargo que desempenhava quando faleceu.

Entre as numerosas atividades em que se notabilizou, no quadro da administração regional, destacam-se as desenvolvidas como gestor do Programa Específico de Desenvolvimento da Região Autónoma dos Açores  (PEDRAA II) e representante da Região Autónoma dos Açores na Comissão de Acompanhamento do Quadro Comunitário de Apoio; membro da Comissão de Gestão dos Fundos Comunitários; representante da RAA no Grupo de Trabalho das Regiões Ultraperiféricas; representante da RAA no Grupo de Coordenação do Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social de Médio Prazo; representante da Região Autónoma dos Açores  no Grupo Interministerial do Esquema de Desenvolvimento do Espaço Comunitário (1997); representante do Governo Regional no Conselho Regional de Incentivos; membro da Comissão Técnica de Planeamento da Região Autónoma dos Açores; representante da RAA para o acompanhamento do processo de negociação do QCA III e do PRODESA; coordenador do grupo de trabalho restrito que produzirá a informação adequada ao aprofundamento das questões a negociar no âmbito do PRODESA; gestor do Programa Operacional de Desenvolvimento Económico e Social dos Açores (PRODESA); representante da Região Autónoma dos Açores na Comissão de Acompanhamento do Quadro Comunitário de Apoio III; gestor das intervenções apoiadas pelo Fundo de Coesão na Região; representante da Região na Comissão de Coordenação e na Comissão de Acompanhamento do QCA III; representante do Governo Regional dos Açores no Comité de Acompanhamento do Programa de Iniciativa Comunitária INTERREG III-B "Açores, Madeira, Canárias" 2000-2006, etc, etc.

Participou ainda em numerosas outras comissões e grupos de trabalho, em que honrosamente representou a Região Autónoma dos Açores e defendeu os interesses deta e proferiu variadas conferência, em território nacional e no estrangeiro.

De trato singular, exuberante, cordial e generoso, Carlos Corvelo criou numerosas amizades e simpatias
em diversas classes sociais e foi alvo de estima geral.

A título póstumo, o seu labor foi reconhecido com a atribuição da Insígnia Autonómica de Reconhecimento.

Entre 1996 e a data do seu falecimento, o Dr. Carlos Corvelo constituíu uma segunda biblioteca pessoal muito variada, em parte constituída títulos realcionados com os Açores e noutra por aquisições que fazia durante as suas numerosas e muito frequentes deslocações ao estrangeiro, ao serviço da Região Autónoma dos Açores, parte da qual foi doada à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo pelos herdeiros.
Dr. Carlos Corvelo












Jácome de Bruges Bettencourt
[1946]
Estudioso, historiógrafo
cônsul honorário da República de Cabo Verde

Jácome Augusto Paim de Bruges Bettencourt. Nasceu na cidade da Horta. Funcionário da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, é cônsul honorário nos Açores da República de Cabo Verde.

Foi vice-presidente da Comissão Administrativa da extinta Junta Geral de Angra do Heroísmo e Provedor da Santa Casa da Misericórdia desta mesma cidade.

É membro da Academia Portuguesa de Ex-Líbris e da Associação da Nobreza Histórica de Portugal, Comendador da Ordem Dinástica de São Miguel da Ala e Cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém. Foi fundador do Partido Popular Monárquico, do qual veio a desvincular-se.

Estudioso da cerâmica tradicional da ilha Terceira, de ex-librística, heráldica e património histórico, é sócio efetivo do IHIT (Instituto Histórico da Ilha Terceira), e autor de vários títulos assim como de numerosos artigos sobre diversos temas publicados em periódicos açorianos e continentais.

Foi
Mestre de Ritos e Cerimónias e depois Grão-Mestre da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, ilha Terceira, da qual foi um dos 18 membros fundadores.

Doou duas fotos coloridas do Capítulo Geral da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos, feitas em dezembro de 2009, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Praia da Vitória e na escadaria dos paços do concelho daquela cidade.













Dr. Jorge Forjaz
Notável genealogista e historiógrafo
[1944]

Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz. Genealogista consagrado e de referência. Foi arquivista da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo. Exerceu, durante os dois primeiros governos da Região Autónoma dos Açores, o cargo Diretor Regional dos Assuntos Culturais (1977-1984), com ação notável na defesa do património arquitectónico, em particular do de Angra do Heroísmo, que viria a ser incluída na lista do Património Mundial da UNESCO. Foi igualmente diretor do Museu de Angra do Heroísmo (1984-1988). Foi bolseiro da Região e adido da Embaixada de Portugal em Rabat.

Jorge Forjaz é sócio do Instituto Histórico da Ilha Terceira, do Instituto Açoriano de Cultura, da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Academia Portuguesa de História. É grande oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Possui vasta obra publicada, relacionada com aspetos da História da ilha Terceira, sobretudo no domínio da genealogia terceirense e açoriana, área em que publicou, em coautoria com António Ornelas Mendes, Genealogias de Ilha Terceira, obra considerada de referência, e Genealogias da Quatro Ilhas (Faial, Pico, Flores e Corvo). É ainda autor de Famílias Macaenses e de Genealogias de São Tomé e Príncipe.

Doou à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo várias obras sobre a Índia Portuguesa e sobre Timor, revistas diversas, vários números da famosa revista Panorama (revista portuguesa de Arte e Turismo), títulos variados de Literatura Portuguesa, Filosofia, Psicologia, História, assim como vários números dos Documentos para a História da Arte em Portugal, e o 1º Volume do Livro de Ouro, da Exposição Universal de Paris de 1889.

Além deste conjunto, fez ainda oferta dos três grossos volumes da obra Famílias Macaenses e de um exemplar das Genealogias de São Tomé e Príncipe.













Maria Judite Ataíde Costa
[1943-2007]
Maria Judite Ataíde Costa, socialmente conhecida por «Menina Judite», possuía o antigo Curso Geral dos Liceus. Exerceu como explicadora privada.

Era uma grande leitora e compôs ao longo dos anos uma vasta biblioteca, que foi doada à Biblioteca Pública de Angra.
Judite Ataíde Costa










Grupo de Açorianos Antifascistas
  • Carlos Alberto Fernandes de Freitas
  • Duarte Rafael Cota Bettencourt Moniz
  • Eduardo José Azeredo Pontes
  • José Henrique Borges Martins
  • Liduíno Borba
  • Manuel António Pimentel
  • Mariana Mesquita
  • Milton Sarmento
  • Victor Medina
  • Virgínia Pereira
Em 1994, por ocasião das comemorações do 20º aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974, a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo realizou uma exposição intitulada «25 de Abril: 20 anos depois», para a qual foi fundamental o empenho pessoal e a contribuição do sr. Engº Duarte Rafael Cota Bettencourt Moniz.

Possuidor de uma importante coleção de documentos recolhidos ao longo dos períodos de luta antifascista e do pós-25 de Abril, o eng. Duarte Rafael Cota Bettencourt Moniz disponibilizou a sua própria documentação e contactou os detentores de outras coleções, visando como objectivo imediato o da realização da exposição e em seguida o da constituição de um fundo documental denominado O Antifascismo e o Pós-25 de Abril, que logo se constituiu e que integrou as diferentes coleções então doadas.

Foram doadores dessas colecções o Sr. Carlos Alberto Fernandes de Freitas (antigo funcionário do Museu de Angra do Heroísmo);
Eng. Duarte Rafael Cota Bettencourt Moniz (organizador); Sr. Eduardo José Azeredo Pontes (ativista antifascista micaelense); Sr. José Henrique Borges Martins (poeta e escritor terceirense); Sr. José Liduíno Melo Borba (ativista político e empresário); Dr. Manuel António Pimentel (micaelense; sociólogo e sacerdote católico, antigo professor do Seminário de Angra); Drª Mariana Mesquita (técnica superior de biblioteca e documentação, antiga directora da BPARAH); Dr. Milton Morais Sarmento (ativista político e advogado); Dr. Victor Manuel Soares Medina (ativista ambientalista, professor de educação física);  Profª. Virgínia Maria Borges Pereira (ativista política católica, professora do ensino elementar).


De cima para baixo e da esquerda para a direita:
Liduíno Borba
, J. H. Borges Martins, Profª Virgínia Pereira, Dr. Manuel António Pimentel, Dr. Milton Sarmento, Dr. Mariana Mesquita e Dr. Victor Medina.










Paulo de Ávila de Melo
[1964]
Genealogista e historiógrafo

Paulo de Ávila de Melo. Nasceu em Angra do Heroísmo.

Fez estudos com os padres missionários combonianos e viajou por diversos países da Europa, África e América, o que lhe fez desenvolver ideais universalistas e o gosto pelo conhecimento de outros povos e de outras culturas.

Tem trabalhado como guia turístico-cultural, mas dedicando-se simultaneamente à investigação em Genealogia e em História local.

Tem publicadas em livro obras resultantes do trabalho de investigação historiográfica que desenvolveu ao longo dos anos.

É sócio do Instituto Açoriano de Cultura, da Academia Portuguesa de Ex-Libris e Cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém.

Ofereceu uma foto rara de um conjunto com figuras humanas e casas tradicionais, que se julga ser da Ladeira Grande (Ribeirinha, Terceira), da 1ª metade do século XX, assim como uma carta geográfica da baía e cidade de Angra do Heroísmo, provavelmente de finais do século XIX.















FUNDOS E COLEÇÕES DE FAMÍLIAS: SÉC. XIX E XX